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BERNARDO SANTARENO (Rua)
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BERNARDO SANTARENO (Rua)
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BERNARDO SANTARENO
Escritor e Médico
(19-11-1924) - (29-08-1980)
Bernardo Santareno, pseudónimo de António Martinho do Rosário, nasceu em Santarém e faleceu em Carnaxide (Oeiras). A sua carreira literária iniciou-se com três livros de versos (A Morte na Raiz, 1954; Romances do Mar, 1955; Os Olhos da Víbora, 1957), mas foi como dramaturgo, dos mais pujantes de toda a nossa literatura, que se impôs, embora nesses primeiros livros se enunciem já alguns dos temas e motivos dominantes da sua obra dramática. Esta reparte-se por dois ciclos, menos distanciados um do outro do que a evolução estética e ideológica do autor terá feito supor, já que as peças compreendidas em qualquer deles respondem à mesma questão essencial: a reivindicação feroz do direito à diferença e do respeito pela liberdade e a dignidade do homem face a todas as formas de opressão, a luta contra todo o tipo de discrminação, política, racial, económica, sexual ou outra. Esta temática exprime-se nas peças integrantes do primeiro ciclo (A Promessa, O Bailarino e A Excomungada, publicadas conjuntamente em 1957; O Lugre e O Crime de Aldeia Velha, 1959; António Marinheiro ou o Édipo de Alfama, 1960; Os Anjos e o Sangue, O Duelo e O Pecado de João Agonia, 1961; Anunciação, 1962), através de um naturalismo poético apoiado numa linguagem extremamente plástica e coloquial e estruturada sobre uma acção de ritmo ofegante que atinge, nas cenas finais, um clima de trágico paroxismo. A partir de 1966, com a «narrativa dramática» O Judeu, que retrata o calvário do dramaturgo setencentista António José da Silva, queimado pelo Santo Ofício, o autor plasma as suas criações no molde do teatro épico de matriz brechteana, adaptando-o ao seu estilo próprio, e assume uma posição de crescente intervencionismo que irá retardar até à queda do regime fascista a representação dessa e das peças seguintes: O Inferno, baseada na história dos «amantes diabólicos de Chester» (1967); A Traição do Padre Martinho (1969) e Português, Escritor, 45 Anos de Idade (1974), drama carregado de notações autobiográficas e que seria o primeiro original português a estrear-se depois de restaurada a ordem democrática no País. Em 1979, depois de uma curta incursão no teatro de revista, colaborando com César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos na autoria do texto de Pra Trás Mija a Burra (1975), publica quatro peças em um acto sob o título genérioc Os Marginais e a Revolução (Restos, A Confissão, Monsanto e Vida Breve em Três Forografias), em que combina elementos das duas fases da sua obra, inserindo a problemática sexual das primeiras peças no âmbito mais vasto de um convulsivo processo social que é a própria substância das segundas. Publiocu em 1959 um volume de narrattivas, Nos Mares do Fim do Mundo, fruto da sua experiência como Médico da frota bacalhoeira, experiência que dramaticamente transpôs em O Lugre, e deixou inédito um dos seus mais vigorosos dramas, O Punho, cuja acção se localiza no quadro revolucionário da Reforma Agrária, em terras alentejanas. A sua obra dramática completa está publicada em quatro volumes. Parte do espólio de Bernardo Santareno encontra-se no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional.
Obras principais: Poesia: A Morte na Raiz, (1954); Romances do Mar, (1955); Os Olhos da Víbora, (1957). Teatro: A Promessa; O Bailarino e A Excomungada, (publicados conjuntamente, 1957); O Lugre, (peça em seis quadros, 1959); O Crime de Aldeia Velha, (peça em três actos, 1959); António Marinheiro: O Édipo de Alfama, (peça em três actos, 1960); Os Anjos e o Sangue, (1961); O Duelo, (peça em três quadros, (1961); O Pecado de João Agonia, (1961); Anunciação, (1962); O Judeu, (narrativa dramática em três actos, 1966); O Inferno, (1967); A Traição do Padre Martinho, (narrativa dramática em dois actos, 1969); Português, Escritor, 45 Anos de Idade, (1974); Pra Trás Mija a Burra, (em colaboração com César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos, 1975); Os Marginais e a Revolução, (inclui: Restos, A Confissão, Monsanto, Vida Breve em Três Forografias, 1979). Narrativa: Nos Mares do Fim do Mundo, (1959).
O seu nome faz parte da Toponímia de: Alcanena, Almada (Freguesias de Almada e Costa de Caparica), Alpiarça, Amadora, Barreiro, Beja, Benavente (Freguesia de Samora Correia), Cartaxo (Freguesia de Vale da Pedra), Cascais (Freguesias de Alcabideche, Parede e São Domingos de Rana), Castro Verde, Coimbra, Entroncamente, Évora, Lisboa (Freguesia ddo Alto Pina), Loures (Freguesias de Santa Iria de Azóia e Unhos), Maia, Matosinhos (Freguesias de Matosinhos e Senhora da Hora), Moita (Freguesias de Alhos Vedros e Moita), Montijo, Nazaré, Odivelas (Freguesias de Famões e Ramada), Oeiras (Freguesia de Linda-a-Velha), Salvaterra de Magos (Freguesia de Muge), Santarém (Freguesias de Arneiro das Milhariças e Santarém), Seixal (Freguesias de Corroios, Fernão Ferro e Seixal), Setúbal, Sintra (Freguesias de Agualva-Cacém, Queluz e Rio de Mouro), Vila Franca de Xira (Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Vialonga), Vila Nova de Gaia.
Fonte: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, (Vol. V, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de Julho de 200, Pág. 104, 105 e 106) Fonte: Quem É Quem, Portugueses Célebres, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 469).
Por: Manuel Lopes
https://ruascomhistoria.wordpress.com/