A maior parte da população setubalense actual, não chegou a conhecer esta doca.
A sua existência desapareceu após as obras do Porto de Setúbal, portanto nos princípios dos anos trinta.
A sua localização, era nas traseiras do antigo teatro Grande Salão Recreio do Povo, paredes meias com a Rua 1º de Maio, banhando as proximidades de várias fábricas de conservas em direcção ao rio, cuja entrada no mesmo era lateral à saída das águas vindas do Ribeiro do Livramento, que iam desaguar nas águas do Rio Sado; levando em tempos invernais e de grandes cheias, milhares de laranjas e alguns animais domésticos, assim como muitos destroços de árvores, que muitas vezes vi, boiando nas águas barrentas que o Ribeiro arrastava nessas épocas para a bacia do nosso rio.
Historiando um pouco a mesma, sabe-se que a sociedade Torlades & C.ia, aforrou à Câmara Municipal de Setúbal, pelo foro anual de 6$400 réis, por escritura feita no tabelião Álvaro Bernardino Cabral, um terreno baldio na praia de Caboz, para fazer uma doca para abrigar pequenas embarcações.
Em 1841, a sociedade Torlades passou esta para João Montague Galloway, pela importância de 120$000 réis, como sub-aluguer.
Em 16 de Setembro de 1850, a mesma foi vendida ao negociante João Esteves de Carvalho, o domínio do terreno em causa, tendo este pago em 30 de Dezembro de 1863, à Câmara Municipal a importância total de 213$100 réis, pela indemnização desta doca.
Os barcos ao serviço das marinhas pagavam 120$000 réis anualmente, por cada moio de lotação. As embarcações de pesca, não tinham tabela certa. O movimento desta doca estava calculado entre 180 a 190 embarcações anuais. Muitas provas desportivas foram feitas nesta, com o apoio de Clube Naval Setubalense.
João Francisco Envia